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Alguma poesia

                          

À partir de meados de 1996 Paulo Franchetti organizou vários rengas através de meio eletrônico. Renga vem a ser um encadeamento de trinta e seis haikais, com a participação de vários autores. Olhando para o Alto  iniciado em 28/03/96 e terminado em 27/06/96 foi o primeiro  desses rengas.

                         

Olhando para o Alto

 

 1. Olhando para o alto,

   Só flores da paineira

   - O poeta sorri. 

Edson Kenji Iura

 

2. No calor do meio dia,

A brisa já é de outono. 

Paulo Franchetti

 

3. Enche o coração,

Um sentimento nostálgico.

Um amor antigo.

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Edson Kenji Iura

 

4. Passo no passado doce

Mas a foto é preto e branco.

Tania Martuscelli

 

5. Pássaros escuros

Apenas o brilho da lua 

Noite sem cores.

Rodrigo Siqueira

 

6. O sol da alvorada

Ilumina os pensamentos.

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Kendall Furlong

 

 7. Manhã de frio:

Na gaiola ainda coberta,

O canário canta.

Paulo Franchetti

 

 8. O monte veste-se em branco

ouvindo o som do silêncio.

Magda Lugon

 

 9. Pêssego maduro:

cresce em seu ventre a lagarta

que se diz semente.

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Magda Lugon

 

10. Também para as ervas simples

Vai chegando a primavera.

Paulo Franchetti

 

11. Salsa, coentro, cebolinha,

verde cor e sabor

Que delicia de sopa!

Mailde Tripoli

 

12. Cozimento de outono

na janela folhas secas.

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Tania Martuscelli

 

13. Casaco empoeirado

murmura no armário

o inicio da estação

Origami Bird

 

14. Uma densa cortina branca

encobre o nascer do sol.

Mailde Tripoli

 

15. No olhar da gralha

silhuetas na neblina

pinheiros

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Ignacio Dotto Neto

 

16. Ainda úmidas da noite

brilham as flores do capim

Paulo Franchetti

 

17. E do campo

lembram os homens

lírios astrais

Fernando Albuquerque

 

18. Que não plantam pra colher

mas se vestem como reis.

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Jose Reis

 

19. Colher de ouro

garfo de fogo, calor real

do sol

Elisa Marchini Sayeg

 

20. A tarde caindo rubra

passos apressados param

Mary Leiko Fukai Terada

 

21. Suspiro de leve

o sol se vai aos poucos

e a neblina come a cidade

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Frederico Bohne Espinosa

 

22. Sonhos em preto e branco

se projetam em vitrines

Ignacio Dotto Neto

 

23. Os sonhos das lojas

Abrem cores em multi:

tinem os metais

Soares Feitosa

 

24. Manequins são fantasmas

de plástico e imaginação

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Diogo Monteiro

 

25. Entre arranha-céu

gelado Cristo de pedra.

Inverno no Rio

Eduardo Rohde

 

26. Sombras no canto da sala

Som de cuco na escuridão

Elisa Marchini Sayeg

 

27. As horas passam

O tempo voa,

uma porta se abre

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João Paulo C. Cajueiro

 

28. Se as portas se fecharem,

um sorriso há de abri-las.

Soares Feitosa

 

29. E dos cantos remotos

onde nos perdemos

sairemos em vôo à vida

Fernando Albuquerque

 

30. Se é que a liberdade existe

Quero um bife, não alpiste

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Eduardo Rohde

 

31. O pássaro azul

num galho dum ipê

canta o céu acima

Diogo Monteiro

 

32. Que os galhos se quebrem...

os pássaros sabem voar!

Soares Feitosa

 

33. Então que voem mais alto

que nossa ação

fecunda do coração ...

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Murilo Hallgren

 

34. Tapetes coloridos sobre calçadas,

nascem do namoro do vento com as flores

Mailde Tripoli.

 

35. Chuva pesada

sobre a vida sem graça:

Uma esperança

Tania Martuscelli

 

36. A fonte da alegria,

enche os olhos de lágrimas

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Romero Tavares da Silva

     
 

Rasgando a neblina foi o segundo renga organizado pelo Paulo Franchetti.