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Literatura

 

Romero Tavares da Silva

 

 
Saudade Flauta
Jóia Talvez no futuro
Amor contido Dor
Amante e amiga Flor de verão
Necessidade Mar e luz
Ventura Lu
Amiga Tristeza
Dragão Amanhece
Orgulho Renga
                
                 

Saudade

  Novembro/1988

Saudade em mim não falta

Por ter conhecido singela dama

Moça de estirpe tão alta

Que por ela todo o meu ser clama.

 

A princípio notei seu perfume

Me aproximei e percebi seu encanto

Me enredei em situação tão grave

Mas depois, sua lembrança foi um acalanto.

 

Acalanto do qual eu fugia

Como antigamente em alto mar temia

O marinheiro, da sereia, o canto.

 

Ao voltar como cometa ou estrela Dalva

Ela me ofuscou com sua tez tão alva

Que seu fulgor ainda me causa espanto.

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Jóia

  Novembro/1988

Como ela de beleza tão pura

Neste mundo poucos já encontraram

Tanta fragilidade, força e ternura

Mulher tão preciosa, só alguns divisaram.

 

Me encontrava tão frágil, perdido e confuso

E fui tratado com amor e recato.

Neste mundo difícil e às vezes obscuro

Tive dela muito carinho, aconchego e tato.

 

Em poucos dias de tantas lembranças

Me aconteceram muitas mudanças

Foi-se a amargura, brilhou o porvir.

 

Todos notaram, desanuviei o meu rosto

Pois perto dela desaparece o desgosto

O futuro é belo, voltei a sorrir.

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Amor contido

  Novembro/1988

Amor tão contido, às vezes assusta

Sentimento represado e pouco vivido

De almas gêmeas e em sintonia tão justa

Com medo do fim, talvez dolorido.

 

Minha amada não temas, é bela a paixão

Não temas Cupido, pois já foste atingida

Nosso amor é antigo, não é pretensão

Parece que ele já vem de outra vida.

 

Apelo tão forte, e tantas vezes testado

Pelo tempo, distância e vicissitudes

Até pela prática, e só existem virtudes.

 

Minha amada não temas, não cales no peito

Este amor que tu sentes, que parece perfeito

Não é pretensão, foste tu que disseste.

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Amante e amiga

  Novembro/1988

Mulher amante e amiga, o bem nos deseja

Não o bem etéreo do qual não partilhe.

Nos toca com carinho, com a mão benfazeja

Lava nossa alma e faz que ela brilhe.

 

Lembra reminiscências de ente querido

Que nos queria forte, altivo e audaz;

Sempre presente, embora tenha partido

Mulher assim, dá oxigênio, nos compraz.

 

Torna veraz, verossímil e real

A nova rota, bela criativa e leal

Consigo e com o mundo, não rito fugaz.

 

Lao Tsé já dizia, tudo começa e termina

Tente ser grande, de paciência infinda

Procure o amor, seja um homem tenaz.

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Necessidade

Abril/1989

Minha amada de ti eu preciso,

Não como anteparo ou muleta.

Tens a ternura que em poucas diviso,

E a jovialidade de uma bela ninfeta.

 

Uma sagacidade que surpreende,

E a cumplicidade que me comove.

Tens desejos que aos meus atende,

E anseios que me promove.

 

Tudo isso é demais para mim,

Às vezes assusta enlevo assim.

É demasia ou má apreensão?

 

Que tempos difíceis sejam o pretexto

Fatos raros em nosso contexto,

Para os agradáveis que virão.

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Ventura

Junho/1989

Viver ou morrer de amor,

É uma premissa bastante forte.

Na competição entre o frio e o calor

Contemos com habilidade e sorte.

 

Para enfrentar as incertezas da vida,

Conto comigo e minha companheira.

A bolina da jangada de minha lida,

Vento seguro e suavidade costumeira.

 

Para gozar as venturas da existência

Faz-se mister uma mulher especial,

A quem se ligar com profundidade.

 

Sintonia não surge com freqüência,

Afora paixão e ternura sem igual,

E uma promessa vívida de felicidade.

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Amiga

Março/1989

Que bom ter uma amiga assim,

Sente um pouco nossa dor e alegria,

Nos toca com suavidade sem fim,

Para não destruir nossa fantasia.

 

Mulher de experiência e maturidade,

Muito viu, sofreu, está desiludida.

Espero que minha ingenuidade,

Ajude-a a crer na emoção da vida.

 

Solidariedade tamanha poucas vezes senti.

Ficou alegre quando minha amada descobri,

Triste e irada quando a outra me derrubou.

 

Temo não ter estatura para retribuir,

Mas me empenharei para tentar conseguir,

Perdi ilusões, mas tua amizade ficou.

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Dragão

Abril/1989

No zodíaco oriental sou dragão,

Signo do intrépido, autoconfiante,

Para uma sensível, grande coração,

Para outra grosseiro, um meliante.

 

A outra riu da possível sensibilidade,

Com razão, pois só aflorou ao afastar-se.

Como poesia, talvez, de má qualidade

Mas tocou à primeira, fê-la aproximar-se.

 

Ser arrojado tem lá sua vantagem,

Nos faz audaz, a perseguir miragem,

Pode ser um oásis, com límpida vazante.

 

Yin e Yang são conceitos do Oriente,

A complementaridade em tudo presente.

A miragem pode ser um fracasso estonteante.

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Orgulho

Setembro/1989

Tenho orgulho de ser teu pai garotão,

Não é um sentimento gratuito, banal,

Tens sensibilidade que flui em borbotão,

Sagacidade e perspicácia pouco usual.

 

Lutas para vencer, com tenacidade,

Os obstáculos que cedo se apresentaram,

Às vezes, maiores que tua capacidade.

E pior! Foram outros que os criaram.

 

Fico muito feliz que contes comigo,

Não só teu pai, também amigo,

Que te ajuda como pode e sabe.

 

Gostaria de mais poder e saber,

Para te ajudar a amadurecer,

E manter-se inteiro, até que a confusão acabe.

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Flauta

Maio/1990

Estava escutando a flauta do Zamfir.

É um som cristalino de rara beleza,

Lembrei o passado e pensei no porvir.

Sabes, na poesia já afoguei a tristeza.

 

Mas a inspiração tinha me deixado.

Que pena! Também cantava à beleza.

Retomei um ângulo abandonado,

Voltei à Física, onde a razão é alteza.

 

Parece, talvez, uma expressão dialética,

Essa busca do equilíbrio, com certeza,

Do pobre vate, de pretensão poética.

 

Visitou o inferno e o céu com presteza,

No turbilhão de uma procura frenética,

Que terminou, no exterior da fortaleza.

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Talvez no futuro

Novembro/1996

Talvez um dia, no futuro,

Possamos refazer o nosso amor,

Principiando do belo e puro,

Do cativante, do calor.

 

Talvez um dia, no futuro,

Sem tormenta, angústia, medo,

Ou outro sentimento inseguro,

Sorver a paixão como um folguedo.

 

Talvez um dia, no futuro,

Sem promessas no presente,

Livres, a menos da lembrança,

 

Tenhamos um amor maduro,

Recuperemos o amor ausente,

Alegre e contente como criança.

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Dor

Novembro/1996

Dói muito seguir, me afastar,

Com tua presença ainda viva,

Deixar algo inconcluso, caminhar.

Cheiro, sabor, lembrança ativa.

 

Fechar à força este quarto,

Procurar, e encontrar outra alma!

E o que sinto, com quem reparto?

Engulo, tento seguir com calma.

 

Eu sou metido a valente,

Tento seguir impávido, resoluto.

Mas é difícil se manter contente,

 

Atravessar o abismo num minuto,

Ser honesto, firme, coerente,

E manter o coração impoluto.

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Flor de verão

Março/1997

Já irrompeu como um vulcão,

E as lavas me queimaram,

Foi tamanha a erupção,

Que as forças me abandonaram.

 

Num átimo, bem de repente,

A fantasia sumiu, desvaneceu

O castelo ruiu numa torrente,

A dor teve lugar, apareceu.

 

Outra chance surgiu, pôr acaso,

Mas desta vez, cautela é mister,

Sem pressa, sem pouco caso.

 

Mas com o cuidado devido,

Alimentar sentimento querido,

Ainda que pôr tantos temido.

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Mar e luz

Abril/1997

Às vezes me assusta, nessa idade,

Aquilo que cresce em mim,

Com a força da tranqüilidade

E a luminosidade carmesim.

 

Sempre fui metido a valente,

Alguns disseram : temerário,

Sem medo do risco : inconseqüente,

Mas na lida : acumulei erário.

 

E neste patrimônio valioso,

Vitórias e derrotas se acumularam :

É o viver, com resultado airoso.

 

Mas, pela intensidade da emoção,

E das músicas que se calaram,

Vem o temor de outra comoção.

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Lu

Junho/1997

Que bom que estamos juntos,

Eu e você, multifacetada mulher,

Surpreende em variados assuntos,

Sem um esforço qualquer.

 

Belas pernas, de escultura natural,

Porte altivo, com grande facilidade

Andar felino, de tigresa sensual,

Face de princesa, com naturalidade

 

Tens a volúpia de uma gata,

Que folgo em acompanhar.

Tez branca e dengo de mulata,

Me dá prazer ser o teu par.

 

Com profundidade, quero te conhecer,

Aparar as arestas, para melhor te ver,

Pois o nosso idílio, desejo muito manter.

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Tristeza

25/outubro/2000.

Uma tristeza imensa,

Com a árvore,

Que caiu.

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Amanhece

09/novembro/2000.

O dia amanhece,

E não escuto,

O teu ronronar.

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Em meados de 1996 Paulo Franchetti organizou vários rengas através de uma lista de discussão que funcionava usando o meio eletrônico. O renga é a arte de encadear estrofes e tem uma forma básica que a uma estrofe em formato de haikai (5-7-5, mais ou menos) segue-se sempre uma composta por um dístico de 7-7. Usualmente, cada estrofe e composta por uma pessoa diferente. 

Há varias regras que regem a composição do renga. As duas regras mais usadas são:(1)    Uma estrofe deve sempre estabelecer um dialogo, uma relação sutil, talvez inesperada, com a que a precede, mas não deve ter nenhuma relação com as que vêm antes da antecedente: ou seja, dísticos não podem ter qualquer relação com dísticos, nem tercetos com tercetos; (2)    Não repetir substantivos ou adjetivos.

Disponibilizamos os dois primeiros rengas construídos por esse grupo. O primeiro renga foi chamado Olhando para o Alto  e o segundo teve o nome Rasgando a neblina .

A história desta lista de discussão já mencionada, que era organizada pelo Franchetti, está disponível na WEB. Existem várias fontes brasileiras sobre esse tipo de poesia, como por exemplo a  Revista Brasileira de Haicai .

                                

Algumas das poesias acima já foram publicadas.

O soneto Saudade  foi publicado no Jornal de Poesia .

Os sonetos Talvez no futuro  , Dor   , Flor de verão , Mar e luz e Lu

foram publicados no vol 04 núm 05 de 2001 da Revista Conceitos , que é editada pela ADUFPB-JP .

O haikai Amanhece  foi publicado na Revista Caqui .

 

® Romero Tavares da Silva