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Hai Kais de autores brasileiros

 

            
Millor Fernandes Paulo Franchetti
Paulo Leminski Saulo Mendonça
Áurea de Arruda Féres Fanny Luiza Dupré
Alice Ruiz  
   

 

Millor Fernandes

Na poça da rua

O vira-lata

Lambe a Lua.

A palmeira e sua palma

Ondulam o ideal

Da calma.

                      

                       

O veludo

Tem um perfume

Mudo.

Nos dias quotidianos

É que se passam

Os anos

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Paulo Franchetti

Um susto matinal:

na caixa de correio,

duas mariposas!

Flamboyants floridos -

até a luz do céu

parece mais bela.

 

 

                     

                         

 

 

Os grilos cantam apenas

do meu lado esquerdo -

estou ficando velho.

Manhã de frio -

com o agasalho, visto

saudades de minha mãe.

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Paulo Leminski

Esta vida é uma viagem
Pena eu estar

Só de passagem

A noite - enorme

Tudo dorme

Menos teu nome

             

                        

Que tudo se foda,

Disse ela,

E se fodeu toda

De colchão em colchão
Chego à conclusão

Meu lar é no chão

                     

                        

Saber é pouco
Como é que a água do mar

Entra dentro do coco?

Quando penso

Em partir em viagem,

O fim da primavera.

                      

                       

Amar é um elo
Entre o azul

E o amarelo

Um salto de sapo

Jamais abolirá

O velho poço

              

      

                                            

                       

Morreu o periquito,

A gaiola vazia

Esconde um grito

Hoje à noite 

Até as estrelas 

Cheiram a flor de laranjeira

               

              

Duas folhas na sandália 

O outono 

Também quer andar

Pra que cara feia? 

Na vida,

Ninguém paga meia.

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Saulo Mendonça

À tarde, no porto

Eles se amavam

E ficavam a ver navios.

Tarde em Tambaú

Restos de nuvens

São bailados de andorinhas.

 

 

 

 

 

 

Não me comoveu

A morte daquela noite.

O galo cantou

Relógio de meu pai.

Na parede, inerte,

Fala-me de todas as horas.

 

 

 

 

 

 

Praia do Jacaré:

O sol cansado, deitou-se

E adormeceu nos braços-de-mar.

Vestido molhado

Colado nas coxas:

Rio perene

 

 

 

 

 

 

Quem tem boca

Vá à fome

Do grito que o consome.

Um músico sentado na praça

Soprava a noite:

O sono tocou-lhe sem dó.

 

 

 

 

 

 

Saudade dentro amolada

Corta qual bisturi:

Hemorragia interna.

A solidão dessa dor

Ainda fala o peito:

Silêncio de bronze.

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Áurea de Arruda Féres

Fanny Luiza Dupré

Num vaso solitário

perfuma toda a sala

um único jasmim.

Estrela cadente.

No seu rastro luminoso

um desejo meu.

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Alice Ruiz

Fim de tarde

Depois do trovão

O silêncio é maior.

Entre uma estrela

E um vagalume

O sol se põe.

 

 

                  

                 

 

 

Varal vazio

Um só fio

Lua ao meio.

Rede ao vento

Se torce de saudade

Sem você dentro.

                      

                        

Você deixou tudo a tua cara

Só pra deixar tudo

Com cara de saudade

Não imite os antigos.

Continue buscando 

O que eles buscavam.

                 

                 

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Material recolhido

em várias fontes:

Saulo Mendonça

Libélula - 100 haikais

Editado pelo autor

João Pessoa - PB - 1990

 

100 haikaístas brasileiros

Antologia organizada por Roberto Saito, Masuda Goga e Francisco Handa

Aliança Cultural Brsail - Japão - 1990

 

As quatro estações

Antologia do Grêmio Haikai Ipê

Aliança Cultural Brsail - Japão - 1991

 

A haiji sedutora

Artigo de Paulo Franchetti, visitado em 19/abril/2003

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® Romero Tavares da Silva