Notas
históricas
Hertz
foi o primeiro pesquisador a observar o fenômeno fotoelétrico.
Em 1887 ele investigava a natureza eletromagnética
da luz quando ficou intrigado com um efeito secundário
da sua experiência. Enquanto estudava faíscas
produzidas pela diferença de potencial entre superfícies
metálicas em um transmissor, verificou que esta faísca
inicial provocava o aparecimento de outra faísca num
receptor. Como este evento era de difícil observação,
Hertz construiu uma cobertura em volta das superfícies
metálicas para diminuir a influência da luz externa.
Fazendo isso percebeu uma diminuição da intensidade
da segunda faísca. Depois de uma série de experiências,
descobriu que essa diminuição era provocada
pela menor incidência de luz externa sobre as duas superfícies
e que a luz pode ajudaria a produzir as faíscas. Ele
também concluiu que esse efeito era devido apenas a
luz ultravioleta, e que mais tarde foi verificado que essa
conclusão não era correta.
Em 1888 Hallwachs mostrou que corpos metálicos ficam
eletricamente positivos quando incidimos sobre eles uma luz
ultravioleta. Em 1889, foi sugerido que a luz arrancaria grânulos
metálicos da superfície do metal. Vale lembrar
que essas observações são anteriores
a descoberta dos elétrons, daí a grande dificuldade
de conceituar simultaneamente uma partícula dita fundamental
e a natureza corpuscular da radiação, de modo
a compreender completamente esse tipo de experimento descrito.
J.J Thomson,
descobre os elétrons em 1897 e foi o primeiro a poder
afirmar que o efeito induzido pela luz ultravioleta em uma
superfície metálica consistia na emissão
de elétrons.
O assistente de Hertz, físico alemão Lenard,
continuou seus estudos utilizando como dispositivo experimental
uma ampola de vidro em alto vácuo que continham em
seu interior placas de diferentes metais polidos. Em 1902
as suas principais descobertas empíricas deixaram os
físicos intrigados:
- A energia cinética dos elétrons não
mostrava a menor dependência em relação
a intensidade da luz que incidia sobre a placa metálica,
- A energia cinética dos elétrons emitidos pela
placa metálica variava com a freqüência
da luz.
Essas
conclusões empíricas traziam consigo uma série
de inconveniente em relação a teoria ondulatória
da luz. Como a energia das ondas mecânicas ou das ondas
eletromagnéticas é proporcional a intensidade
da onda, e essa intensidade é proporcional ao quadrado
da sua amplitude, era de se esperar que bastaria uma luz com
intensidade suficiente incidindo no metal para ocorrer à
emissão de elétrons. No entanto, para maior
parte das freqüências visíveis não
há emissão de elétrons em nenhum metal,
independente da intensidade da radiação. Essa
situação causava confusão porque a teoria
ondulatória clássica não estabelece relação
entre a energia e a freqüência da onda.
Einstein
propõe em 1905 uma explicação para esse
efeito: “Um quantum de luz fornece toda sua energia
a um único elétron”. Quantum? O que seria
isso?
De acordo
com Einstein, a energia de toda radiação eletromagnética
não se distribui uniformemente como é previsto
pela teoria ondulatória clássica. Essa energia
se distribui pequenos pacotes de energia chamados de quantum
de energia. O plural de quantum é quanta, que significa
quantidade indivisível. Na linguagem atual a energia
é quantizada. Cada pacote de energia (quantum) possuiria
uma quantidade de energia bem definida, dada por: E=hf, onde
f e a freqüência da onda e h a constante de Planck.
Einstein
também concluiu que para um elétron abandonar
um metal ele “gasta” certa energia, cujo valor
é uma constante característica de cada material.
Esse valor é chamado de Função Trabalho
do metal. Então, de acordo com a proposta de Einstein
temos: E=hf-T, onde T é a função trabalho
do metal. Esta proposta explica o fato da energia cinética
do elétron emitido pela placa aumentar com a freqüência.
Como Einstein observou: “Se a equação
estiver correta, um gráfico da energia em função
da freqüência da luz incidente deve resultar numa
reta, cujo coeficiente angular dever ser independente da natureza
da substancia iluminada”.
Devido
a limitações experimentais, Einstein teve que
espera cerca de uma década para ver confirmada uma
de suas previsões, a dependência linear entre
energia e freqüência.
Em 1922
o premio Nobel é concedido a Einstein, como mostra
o anuncio oficial: “A Albert Einstein, por seus serviços
a física teórica, especialmente pela descoberta
do efeito fotoelétrico”.
O artigo
em que Einstein explica o efeito fotoelétrico foi publicado
em 1905 na revista Annalen der Physik. Por ordem cronológica
de recepção na revista, os artigos de Einstein
neste ano foram:
17 de
Março - O quantum de luz.
11 de Maio - Movimento browniano.
30 de Junho - Relatividade restrita.
27 de Novembro - Segundo artigo sobre relatividade restrita
(dedução da famosa equação E=mc2).
19 de Dezembro - Segundo artigo sobre movimento browniano.
A ONU
e UNESCO declaram 2005 como Ano Internacional/Mundial da Física
em comemoração ao centenário do chamado
annus mirabilis (ano mirabuloso).
Referências: